Reflexões

1.

A escolha desta Unidade Curricular deve-se ao facto de achar interessante/importante que entendamos melhor o que são as emoções/sentimentos e que impacto podem eles ter nas pessoas, de forma a conseguir desenvolver, com mais facilidade, empatia por quem me rodeia. Ou seja, esperava que esta disciplina me ajudasse a identificar comportamentos e associa-los a emoções/sentimentos, sendo que essa identificação me poderia permitir agir sobre a área em educação. A educação só é feita através do estabelecimento de relações, e talvez, se entendermos melhor os comportamentos associados a determinados sentimentos, possamos compreender melhor o próximo e ajudá-lo a ultrapassar algumas dificuldades. Sinto que nas escolas, por exemplo, com determinados professores não existe a componente que diz espeito à empatia.

No primeiro impacto com a disciplina, com a sua apresentação (dos conteúdos, docentes e colegas), senti-me verdadeiramente desconfortável e ansiosa. Assumi que esta cadeira era um espaço de partilha (partilha muito pessoal) e que me obrigará a relacionar-me com pessoas com as quais não desejo fazê-lo. O meu primeiro instinto terá sido desistir, no entanto, e após refletir sobre o assunto, entendo que poderei dar uma oportunidade à disciplina e talvez a mim própria. No entanto, e apesar da oportunidade, continuo apreensiva e sinto algum desconforto sempre que penso na Unidade Curricular. Não sei o que esperar.

2.

Questionário de autoavaliação de competências emocionais - Reflexão sobre o que senti

Senti que estava no consultório com a minha psicóloga, mas sozinha. Senti-me desconfortável a realizar o questionário, não por olhar para mim própria e fazer uma avaliação de comportamentos, mas sim porque as respostas não são anónimas e qualquer pessoa que esteja inscrita na plataforma onde disponibilizei as minhas respostas, terá acesso a elas.

Senti-me também um pouco confusa, na medida em que fui sentindo, ao longo do questionário que me poderia estar a contradizer. 

3.

Um dos objetivos da Unidade Curricular de Competências Emocionais seria refletir sobre as temáticas abordadas em aula, no entanto, decidi que seria mais vantajoso para mim fazer antes um balanço final.

Escolhi esta Unidade Curricular como disciplina opcional porque entendo que trabalhar aspetos relacionados com competências emocionais fosse vantajoso para perceber algumas questões em educação. Aquilo que esperava era que trabalhássemos temas maioritariamente relacionados com educação, ou seja, acreditava que esta disciplina me ensinaria a perceber de que forma, determinadas emoções têm influencia no universo educativo.

Foi-me difícil perceber a ligação com educação, sendo que, maioritariamente, fizemos partilhas pessoais e discutimos aquilo que nos perturbava, em grupo (ansiedade, medos, frustrações). Senti-me algumas vezes desconfortável, este portefólio deixou-me muitas vezes reticente, por ser tão pessoal. Por ter de ser transparente em relação às minhas emoções, por me deixar exposta. Não gostei de mostrar as minhas fragilidades e partilhá-las em grupo ou online.

No entanto, apesar do desconforto, apercebi-me que estava a aprender, aprender que também os outros têm fragilidades, que estamos todos, nesse aspeto em pé de igualdade. Apercebi-me de algumas dificuldades porque até então nunca tinha sido confrontada com determinadas questões. Nunca tive que escrever sobre os meus sentimentos e pensamentos sem ser para mim própria ou para pessoas que convivem comigo diariamente, nunca me senti verdadeiramente exposta. E expormo-nos, conversarmos sobre aquilo que sentimos com pessoas com as quais não temos ligação emocional, permite-nos aprender, sobre nós e sobre os outros.

Entendo a educação como um processo individual, mas acima de tudo coletivo, que se desenvolve em conjunto dentro do nosso meio envolvente, e, por isso, esta Unidade Curricular revelou-se bastante importante para a Licenciatura que estou a tirar. Para além de me permitir pôr a minha individualidade e personalidade em perspetiva, permitiu-me olhar para o outro, aprender com o outro e não ter receio de me mostrar como sou.

Em educação talvez seja importante, em contexto de escola, maioritariamente, investir na relação entre os alunos, permitir que se criem laços, empatia e solidariedade. Neste sentido, esta disciplina foi fundamental, sendo que, nos permitiu adquirir algumas das competências que referi acima. 

Narrativas

O que é que senti?
O que é que fiz na situação?
O que poderia ter feito diferente?
O que me proponho a fazer futuramente numa situação semelhante?
O que aprendi com a situação, sobre mim e sobre os outros?
O que é que eu necessito de trabalhar em mim e nos outros?

Divórcio 

O divórcio é um tema sobre o qual gostaria de refletir sendo que os meus pais contribuíram para o aumento da taxa de divórcios em Portugal.

A perspetiva que tenho hoje, sobre o divórcio é bastante diferente daquela que tive na altura em que aconteceu comigo, com os meus pais, com a minha família. Tinha 10 anos e foi uma das questões mais difíceis de ultrapassar, e apesar de me sentir relativamente bem resolvida em relação a este assunto, entendo que ainda há coisas que voltam e me deixam triste.

Quando os meus pais se separaram, acreditei durante muito tempo que era temporário, sentia-me triste e não queria que eles encontrassem outras pessoas para partilhar vida. 

Honestamente todas as atitudes que tive, tendo em conta a idade, foram legitimas, acho que não podia ter lidado melhor do que aquilo que lidei, não me propunha fazer nada diferente, era uma criança. 

Durante algum tempo estive revoltada com a situação, e apesar de achar que não mudava nada, se pudesse, falar com o meu eu de 10 anos, dir-lhe-ia que não vale a pena, e em frente é que está o caminho.

Aprendi, sobre mim, que não gosto de mudanças, não gosto de mudar, mudar um móvel de sítio, a partir do momento em que os meus pais se separaram, perturba-me, deixa-me revoltada. Aprendi que tenho que deixar ir e que a vida não acaba, mesmo que fique tudo diferente. Aprendi que apesar dos contras que é ter os pais separados, também há alguns prós. A nossa família aumenta, as férias aumentam, os natais aumentam, os aniversários aumentam, tudo passa a ser a dobrar. Aprendi que tenho que ver o lado bom das coisas e aprendi que independentemente das decisões que os meus pais tomem, sou filha deles e isso não muda.

Sobre os outros, aprendi que não existe ninguém perfeito e que nada dura para sempre. Aprendi que os nossos pais também têm direito a viverem da forma que querem e serem o que quiserem.

Desistir e voltar à Faculdade

Educação e Formação não era a minha primeira opção. Não foi a primeira opção em 2017, quando me candidatei à universidade pela primeira vez, no final do 12º ano. Entrei neste curso, sem saber muito bem ao que ia, e nada satisfeita porque aquilo que eu queria mesmo era ir para a faculdade de Letras, tirar um curso, que na minha perspetiva tinha um leque muito alargado de cadeiras, todas muito diferentes umas das outras. Achei que isso era o ideal para mim, sendo que podia moldar o curso mais ou menos ao meu gosto. Esse era o meu desejo, tendo em conta que nunca houve nenhum curso em particular que eu quisesse muito tirar, por não saber o que queria fazer no futuro.

Em 2017, achei que Educação e Formação não era o curso indicado para mim, senti que as unidades curriculares não eram interessantes o suficiente para que me mantivesse lá, no entanto, hoje, consigo assumir que não estava disposta a tentar e a integrar-me no universo universitário. Na altura achei que o melhor para mim seria ir à procura de um trabalho e focar-me em melhorar as notas dos exames nacionais, para que no ano letivo seguinte ingressasse no curso que me parecia melhor. Abandonei o curso e fiz o que tinha planeado, arranjei um emprego, mas com isso deixei a ideia de estudar para os exames, por isso, não entrei. Ao longo do tempo em que trabalhei, e por ter trabalhado em lugares tão diferentes a desempenhar variadas funções fui-me apercebendo que precisava de mais. Precisava de me educar, de tirar um curso e no futuro encontrar um emprego que me preenchesse. Conversei com a minha família, pensei muito, até que decidi reingressar em Educação e Formação.

Este curso permite-me falar e estudar temas que para mim são muito importantes na vida em sociedade e que sinceramente considero poder aplicar no meu futuro emprego. É um curso muito virado para o lado social, para as desigualdades, para a busca de novos métodos de ensino, perceber o que falhou e o que falha e tentar mudar.

Estou muito feliz por ter voltado e por ter descoberto, muito provavelmente a minha vocação.

Toda esta experiência me fez perceber que todos nós temos o nosso tempo e que fazer as coisas ao ritmo dos outros não nos levará a lado nenhum. Precisei de ter outras experiências e aprendizagens para perceber o que queria para mim e para o meu futuro. Precisei de desistir.

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